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No Brasil, apenas 1,5 da frota brasileira (que tem em média 10 anos de fabricação) que deixa de circular, tem como destino os centros de reciclagem. O índice ainda é muito baixo e mostra o enorme potencial desse mercado para empresas de beneficiamento, tratamento, reciclagem e fundição de metais.

Nos EUA e na Europa, 95% dos automóveis que saem de circulação têm suas mais de 50 mil peças recicladas integralmente. O grande problema no Brasil, segundo os empresários, é a falta de estrutura para recolher os automóveis aposentados.

Confira na íntegra a matéria veiculada no dia 16 de outubro no jornal O Estado de S.Paulo

Cresce a reciclagem de sucata de carros

Um automóvel pode ter de 30 a 50 mil peças, das quais 75% são de ligas metálicas. Na Europa e nos EUA, a reciclagem chega a 95% do número de carros fabricados. ” No Brasil não existe legislação específica que responsabilize a montadora pelo recolhimento do veículo, e os que chegam para reciclagem geralmente estão no limite da sua vida útil”, afirma Marcos Sampaio da Fonseca, representante do Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não-Ferrosa do Estado de São Paulo ( Sindinesfa).

Segundo ele, em torno de 1,5% da frota brasileira que é aposentada tem como destino a reciclagem – em média, carros com mais de 20 anos de uso. ” O veículo que chega para a reciclagem já passou por tudo, como perda total em acidentes e desmanche. Mas já temos tecnologia de ponta para reciclagem, só falta crescermos em volumes”, diz Fonseca, que participa de uma feira de negócios sobre o assunto, a Exposucata, que começou ontem, em São Paulo.

A empresa RFR de Guarulhos ( SP), há 22 anos no ramo e especializada na recuperação de matais como ferro e aço, é uma das que tem apostado no crescimento deste mercado. A empresa de 250 funcionários processa 40 mil toneladas/mês de sucata, certca de 5% da oferta nacional, que inclui carros e eletrodomésticos no fim da sua vida útil, além dos resíduos do processo produtivo de montadoras como Mercedes-Benz e Volvo.

A empresa possui um grande triturador, conhecido como Schreder, com capacidade para triturar de 50 a 60 veículos por hora. ” Eles são colocados inteiros no triturador e depois os materiais são separados”, explica Márcia Monteiro, diretora-administrativa e sócia da RFR. Os carros mais antigos, a maioria dos que chegam ao triturador, possuem mais aço na composição, enquanto os mais novos têm composição mais heterogênea – alumínio, plástico e metais não-ferroso também podem ser recuperados. ” O volume de materiais reciclados poderia ser ainda maior. Temos capacidade instalada, mas falta recolher mais veículos ao fim da vida útil”, diz Márcia.

A siderúrgica Gerdau é uma das que tem recuperado sucata de aço – no mundo todo, a companhia recicla 18 milhões de toneladas de metais por ano. A unidade da empresa no Sul utiliza cerca de 200 mil tonelads de material reciclável por mês.

As empreas que trabalham na recuperação de vidros automotivos também estão buscando mais matérias-primas. É o caso da Autoglass, empresa de instalação e manutenção de vidros para automóveis, que criou um sistema de logística reversa para recolher pára-brisas e vidros laterais e traseiros danificados e destiná-los à reciclagem. Assim, o mesmo caminhão que entrega o vidro na revenda traz de volta o material em pedaços. Já são recuperadas 30 toneladas por mês.

” Fizemos um levantamento que revelou que, de um total de 1,5 milhão de pára-brisas quebrados no Brasil anualmente, apenas 5% são reciclados” explica Fernando Chieppe Carreira, diretor-comercial da Atuoglass. ” Estamos tendo renovação da frota de veículos, mas precisamos recuperar os vidros antigos.’ Anualmente, são fabricados no País 21 milhões de vidros laterais e traseiros. Carreira explica que mais de 1,6 milhão de peças quebradas não são recicláveis em sua totalidade