Fim dos sucateiros trará crescimento às distribuidoras de metais
Publicado por admin em 29 Abr 2008 | sob: Informação
- Empresas distribuidoras estão satisfeitas com o fim dos sucateiros e agora dizem que poderão crescer dentro de um mercado profissional, porém custos com o beneficiamento devem aumentar e terão reflexos até para o consumidor
A partir de abril a realidade dos sucateiros e do mercado informal de compra e venda de metais muda completamente. As usinas de beneficiamento de metais como cobre, alumínio, e minérios em geral, anunciaram que não vão mais comprar material no mercado informal. A justificativa dessas empresas é que o hábito de comprar material usado, gerou um mercado informal e ilegal de sucateiros, diretamente ligado a roubos de fiação e cabos de cobre.
Segundo André Dias, diretor da empresa distribuidora Açometal, havia uma grande dificuldade na vendas de seu produto para as empresas de beneficiamento. Isso porque os sucateiros conseguiam vender suas sucatas com o valor muito mais baixo do que o praticado pelo mercado. Com a concorrência desleal, várias empresas distribuidoras não conseguiam crescer e viam sua potencialidade diminuir diante da ilegalidade.
Mas a decisão que à primeira vista parece simples e benéfica, também gera debates e conflitos. O produto vindo dos sucateiros era aproximadamente 20% mais barato para o distribuidor. Com essa nova decisão, o aumento nos preços de metais não-ferrosos é dado como certo num curto prazo, o que pode gerar aumento dos produtos e insumos até mesmo para o consumidor. Sendo assim, as usinas terão maior dificuldades de comprar os minérios já que terão que recorrer de distribuidores, que embora trabalhem com produtos legais, oferecem um custo menos competitivo e encarecem todo o processo produtivo.
Certa ou errada a decisão caminha para regularizar um mercado criminoso de roubo de materiais e depredação do bem público. Na mídia, são constantes as notícias sobre roubo de fios e de materiais em pontes, viadutos, linhas de trens, prédios públicos e construções em geral.
Neste ponto, as usinas de beneficiamento caminham na direção correta ao profissionalizar um setor que foi depredado pela ação do crime organizado. Por outro lado, é questionável a preocupação das empresas que poderão repassar o custo aos seus parceiros e quem paga a conta, deverá ser o consumidor.
Roubos de fios trazem prejuízos à prefeitura de São Paulo
De acordo com o Departamento de Iluminação Pública (ILUME), os cofres públicos de São Paulo, têm prejuízos todos os meses de aproximadamente R$300 mil, devido aos furtos de 150 km de cabos de cobre da rede de iluminação da cidade.
Cena comum nos centros urbanos são as ruas escuras, túneis completamente apagados e praças totalmente abandonadas inclusive pelos pedestres, que temem os assaltos. A nova decisão deve se refletir em breve, já que os “ladrões de fios” não terão mais como repassar o produto roubado.
Este corte no beneficiamento de materiais terá uma forte contribuição para a diminuição desses tipos de crimes, enquanto que empresas distribuidoras, como a Açometal, crescerão no espaço competitivo, profissionalizado e absolutamente legal.
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